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 LIVRO DAS VIRTUDES - A Pré-História

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Rodrigo Capelo
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MensagemAssunto: LIVRO DAS VIRTUDES - A Pré-História   Qui 22 Dez 2011, 16:20

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Livro da Pré-História
Capítulo I - «Oanylone»



1 Os humanos eram agora filhos de Jah. Isto traz por consequência que eles seriam, a partir de então, dotados de uma alma, que seria julgada do fim dos tempos em função de sua prática da virtude. Além disso, eles agora estariam empenhados em trabalhar para sustento próprio. As outras criaturas da criação, excepto aquelas que o Altíssimo não escolheu, foram aos homens submetidas. Os seres humanos podiam, assim, cultivar a terra e criar animais para se alimentarem.

2 Jah não interveio mais no mundo, permitindo que os Seus filhos vivessem e prosperassem. Ele concedeu à criatura que até então não tinha nome, a liberdade que levava os Seus filhos a terem de escolher entre o caminho da virtude ou o caminho do pecado. Sendo omnisciente, Ele já sabia o que aconteceria no futuro, mas quis testá-los, sem julgá-los antecipadamente.

3 Oane, aquele que havia correctamente respondido a Jah, passou então de simples espírito da comunidade para aquele que a iria guiar. Ele não recusou o desafio. Ele conduziu o povo pelo mundo À procura de um local propício para o seu desenvolvimento. Durante anos, eles atravessaram desertos, montanhas e planícies de todo o mundo. Oane debilitou-se ao longo da jornada, mas nunca desistiu.

4 Finalmente chegou o dia no qual eles encontraram um vale propício ao seu estabelecimento. Continha um lago, que aparentava estar repleto de peixes. Vastos campos que pareciam propícios à agricultura e pastoreio. As florestas ao redor forneceriam a madeira necessária. Havia até mesmo um pomar, repleto de árvores de frutos. O vale estava ao pé de uma montanha, onde minerais como ferro, ouro e carvão podiam ser extraídos.

5 Oane ficou radiante ao perceber que a sua busca tinha terminado. Ele admirava a vista dos campos quando subitamente desmaiou. Todos se aglomeraram ao seu redor para ajudar. Alguns tentaram mantê-lo numa posição quase sentada, era claro que ele vivera s seus últimos momentos. Mas, apesar do trágico acontecimento, em que todos permaneciam perplexos, Oane estava com um sorriso de serenidade no rosto.

6 Ele disse: “Não temereis, pois minha morte é uma passagem na qual volto a Jah. Conquistei o que Jah me reservou no mundo e agora volto para junto Dele. A morte não é a perda da vida, mas um renascimento para outra vida, muito melhor. Acontecerá o mesmo a vós se souberdes viver na virtude. Bem vos digo, que as vossas lágrimas não sejam de tristeza mas sim de alegria, porque o Altíssimo me deu o dom maior. Amai-o e Ele amar-vos-á. Adorai-o e o Senhor vos abençoará. Vivei em virtude, e Ele vai receber-vos ao seu lado.”

7 Então, ele deu o seu último suspiro. Olharam-se todos uns aos outros, sem compreender a serenidade com a qual acabava de morrer o seu guia. Eles enterraram o seu corpo no meio do vale, onde passaram a viver. Juraram que todas as semanas eles se reuniriam em torno do túmulo, afim de que o guia os orientasse e lhes fosse o intercessor nas homenagens a Jah.

8 Mas ninguém compreendera que foi graças ao amor que Oane tinha por Jah que ele aceitou morte com tanta serenidade. Mas ninguém ousou fazer-lhe censura, não àquele que tinha feito tanto em prol deles. Em homenagem pela vida ao serviço dos homens e de Jah, eles decidiram baptizar a cidade que iriam construir de Oanylone, “Cidade de Oane”.


Spyosu




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Rodrigo Capelo
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MensagemAssunto: Re: LIVRO DAS VIRTUDES - A Pré-História   Qui 22 Dez 2011, 16:21

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Livro da Pré-História
Capítulo II - «O Trabalho»


1 O tempo realizou o seu trabalho, os homens e as mulheres multiplicaram-se e sempre mantiveram o seu amor por Jah e rejeitavam as sombras da Criatura Sem Nome. Isto alimentou, a cada dia que passava, a sua amargura e cólera contra o povo de Jah, que lhe haviam tomado o lugar de preferido da Criação. Portanto, enquanto homens e mulheres viviam despreocupados na sombra, o inimigo preparava a sua vingança.

2 Jah havia ordenado aos homens e mulheres que trabalhassem pela subsistência. Esta árdua labuta afastava deles a preguiça. De qualquer modo, os homens e mulheres sabiam ser inventivos, porque Jah assim os tinha criado. Eles colhiam aquilo que a natureza lhes fornecia. Começaram a controlar estes recursos para assegurar a sua subsistência e, portanto, a vida ia bem.

3 Eles separaram o trigo selvagem e passaram a cultivá-lo nos seus próprios campos. O moleiro passou a transformar esse trigo em farinha no moinho. O padeiro passou a amassar e cozer a farinha para que pudesse fazer o pão. Eles separaram o milho selvagem e passaram a cultivá-lo nos seus próprios campos. Eles separaram os vegetais selvagens e passaram a cultivá-los nas suas próprias hortas. Eles colhiam as frutas que cresciam nalgumas árvores e podiam assim comê-las. O prazer proporcionado pelos vegetais e frutas tornava a vida mais agradável.

4 Do mar, dos rios e lagos, pescavam os peixes. E por isso sua inteligência alcançou altos patamares. Eles inventaram o barco e o número de peixes que conseguiam pescar de uma só vez aumentou. Às vezes, alguns deles despertavam pela manhã num barco e oravam a Jah por este dom. Eles criavam vacas, porcos e ovelhas nas suas pastagens, cuidando desses animais que lhes haviam sido confiados por Jah. Eles alimentavam-se deles e por isso eram fartos.

5 O carniceiro preparava a carne a partir das carcaças desses animais. Para fazer isto, inventaram a faca, instrumento que permitia cortar a carne. Assim ficaram mais fortes após consumi-la. Das vacas também se obtinha o leite, um doce e delicioso néctar.

6 Eles tosquiavam a ovelha e obtinham a lã. A pele delas era também aproveitada na forma de couro. O tecelão utilizava a lã e o couro para tecer vestimentas, que os protegia do vento e garantia a decência de sua aparência. Com a natureza a provê-los além das expectativas, eles inventaram os barris, para que pudessem armazenar o excedente.

7 Para se protegerem quando as janelas dos céus se abrissem, criaram casas para habitar. Assim eles desenvolveram camas, velas, mesas, cadeiras... e tudo o que poderia melhorar o conforto das suas vidas. Para isso, prevaleceu o trabalho em minas de pedra e ferro. O lenhador cortava a madeira das árvores. Para facilitar este trabalho, o ferreiro moldava o ferro para criar ferramentas como os machados e as facas.

8 Ocasionalmente, Jah contribuía para este período de bonança, dando àqueles que O amavam a fartura dos alimentos e da produção. Ocasionalmente, também incentivava-os, tornando-os mais fortes, mais inteligentes ou mais carismáticos. E aos Domingos, antes do pequeno-almoço, todos se encontravam em torno do túmulo de Oane, para rezarem junto àquele que amavam. Na verdade, ainda não havia clérigos, porque ainda não havia necessidade, pois estavam todos em comunhão directa com Jah.


Spyosu



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Rodrigo Capelo
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MensagemAssunto: Re: LIVRO DAS VIRTUDES - A Pré-História   Qui 22 Dez 2011, 16:22

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Livro da Pré-História
Capítulo III - «A Preguiça»


1 A sociedade dos homens e mulheres estava bela e refinada.

2 Deste modo, aprenderam a fazer vinho das uvas, após anos a tentar entender os meandros da produção de tal bebida. Também descobriram como fabricar cerveja a partir de cevada e lúpulo. Para tal, inventaram-se fornos de tamanho excepcional. Tiveram que aprender a trabalhar em conjunto para atingir tais resultados. Mas ninguém duvidava que o esforço valia a pena.

3 Além disso, as artes e as ciências foram concebidas para aumentar ainda mais a crença em Jah. Aprenderam a compor a música, as canções tornaram-se mais belas e os instrumentos de acompanhamento foram aprimorados. Descobriram plantas que curavam feridas e doenças, de modo que a boa saúde permitia glorificar o Todo Poderoso por mais tempo. Eles inventaram a escrita, o que lhes permitiu preservar seus conhecimentos para as gerações futuras.

4 Jah estava satisfeito. Os seus filhos estavam felizes no lugar que Ele lhes tinha reservado. Mas Ele sabia que as flores da virtude primaveris haveriam de murchar. Pois a Criatura Sem Nome tramava novamente, com raiva e cólera. À espreita nas sombras, ele esperou o momento propício para provar ao Todo Poderoso que a resposta que Ele tinha dado a Oane estava errada. Ele persistiu no erro, negando o poder do amor e persistindo na dominação dos fracos pelos fortes como sentido da vida.

5 Mas todas as invenções que os seres humanos haviam criado fizeram com que o trabalho deles fosse facilitado. Havia cada vez menos esforço na labuta nos campos e nos pomares. O que anteriormente gastava um mês de labuta no campo de trigo passara a ser feito rapidamente. Se antes se pescava no máximo um peixe por dia, já então chegavam a pescar até dois em determinados dias. Se antes se precisava estar sempre atento ao campo de vegetais, já então bastava colhê-lo de tempos em tempos.

6 E a primordial das ciências ainda não existia. A teologia era desconhecida pelos homens. Sem o clero, ainda não havia pessoas que se dedicassem inteiramente a Jah. Sem as Sagradas Escrituras, não havia o que estudar. A Fé humana era grosseira, uma vez que ainda não possuía intermediários. Mas a pureza aparente do seu amor a Jah era precisamente o que os levaria ao seu destino.

7 Os homens deixaram-se levar pela doçura da vida. Ela parecia tão suave e agradável, que já não compreendiam o porquê de dedicar as suas vidas ao trabalho. Cada prazer lhes deu a oportunidade de negligenciar o seu trabalho. Eles amavam o mundo, mas eles amavam-no para si - não porque Jah o lhes tinha dado - por amor a eles. Gradualmente esqueceram-se de amar Jah.

8 O primeiro pecado foi, portanto, involuntariamente, descoberto pelos homens. Mais tarde, deu-se-lhe o nome de preguiça. Tratava-se da rejeição do amor divino, render-se à vida material, negligenciando a vida espiritual, preocupar-se com o presente sem ter em mente o que Jah tinha projectado. A preguiça traria os outros pecados, levando os homens à sua condenação. Eis que o auge foi atingido quando ao Domingo já não se dedicavam à oração, mas sim à preguiça.


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MensagemAssunto: Re: LIVRO DAS VIRTUDES - A Pré-História   Qui 22 Dez 2011, 16:23

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Livro da Pré-História
Capítulo IV - «Os Pecados»


1 Os homens descobriram a preguiça. Subestimaram o amor de Jah para sobrestimarem as coisas materiais que Ele lhes havia proporcionado. Tomaram gosto por uma parte do divino e esqueceram-se de que o amor deve ser pleno. Oane já lá não estava para os guiar, uma vez que ele foi o único a entender o amor do Altíssimo. Agora sozinhos, privados do seu guia, os homens já não sabiam distinguir a virtude do pecado.

2 Alguns então começaram a comer para além da fome, criando um prazer que era cada vez quotidiano. A doçura da fruta, o calor da carne e vício do álcool tornaram-se precedentes sobre os prazeres triviais da vida. Já não apreciavam o cheiro doce das flores ou as belas paisagens. Chegou-se ao ponto em que o número de frutos do seu trabalho já não era suficiente para a sua gula.

3 Então a cobiça rompeu os laços de união entre homens e mulheres. Todos mantinham para si os frutos do seu trabalho e recusavam-se a partilhar. Os fortes produziam mais, comiam mais, bebiam mais e tornavam-se cada vez mais fortes. Os fracos produziam menos, comiam menos, bebiam menos e tornavam-se cada vez mais fracos. A comunidade composta por homens e mulheres foi dividida por causa da sua valorização excessiva das coisas materiais, o que os levou à avareza.

4 Então os homens tornaram-se orgulhosos. Os fortes começaram a desprezar os fracos, que não podiam comer tanto quanto queriam. Assim como a Criatura Sem Nome, agora eles acreditavam que a vida se resumia ao domínio dos fortes sobre os fracos. Portanto, a Criatura apercebeu que o momento de sua vingança havia chegado. Escondida nas sombras, ela aproximava-se daqueles que não tinham o que comer e incitava-os: "Por que é que permitem isso, por que não revertem as posições?"

5 Então os fracos passaram a invejar os fortes. Os fortes, satisfeitos com a situação, não se aperceberam da inveja porque permaneciam em melhor condição. A Criatura Sem Nome exultou de alegria, pois sentiu que o momento de sua glória estava a chegar. Ela sussurrava aos fracos e espalhava a inveja. A cólera dominava aos poucos o coração dos fracos que acabaram por se rebelar internamente contra essa injustiça. Enfim, ela incitou-os a exprimir este sentimento pelas acções.

6 Então os homens passaram a ferir seus irmãos e irmãs. Com facas e machados em mãos, atingiam-se uns aos outros numa tempestade de violência e destruição. Inventaram a guerra, que atingiu o seu clímax quando começaram a queimar casas e plantações dos inimigos. A Criatura Sem Nome aproximou-se dos homens e disse-lhes que a violência e o ódio lhes permitiam dominar os inimigos.

7 O homem vulgarizava a mulher e a mulher vulgarizava o homem. Os fortes abusavam dos fracos e infringiam-lhes sofrimento. Todos se uniam numa orgia bestial de devassidão e violência. Os seus corpos entrelaçados reflectiam as chamas das casas que ardiam. A comida e a bebida eram devoradas. As letras passaram a encorajar gestos promíscuos. Uma verdadeira orgia abateu-se sobre os homens. E o amor de Jah foi posto em dúvida.


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MensagemAssunto: Re: LIVRO DAS VIRTUDES - A Pré-História   Qui 22 Dez 2011, 16:23

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Livro da Pré-História
Capítulo V - «O Rei do Pecado»


1 Isto alongou-se por semanas e meses. A libertinagem dos homens não tinha limites. Além disso, já não consideravam o trabalho como um propósito. A violência e a depravação tornaram-se a sua labuta diária. Os celeiros foram deitados a baixo e todos lutavam para se aproveitarem ao máximo uns dos outros. Foram além do que se pode compreender como valorização das coisas materiais.

2 Todos passaram a desconfiar uns dos outros. Qualquer motivo era o bastante para desencadear a violência. Quando alguém, possuído pela cobiça, invejava os alimentos que um terceiro possuía, e os tentava roubar, a vítima, impulsionada pela ganância, respondia com violência. Não dialogavam, mas ameaçavam-se e insultavam-se.

3 Os homens e mulheres já não olhavam para as estrelas. O pecado tomou controlo sobre as suas vidas. Haviam esquecido a existência de Jah e já não sentiam o Seu amor. Consumiam-se nos prazeres insalubres do pecado. Sem Oane para os guiar, esqueceram a virtude e o vício foi elevado sobre o pedestal das suas vidas detestáveis.

4 O seu único contacto era com a criatura a que Jah ainda não tinha dado um nome. Ele exultava-se com o pecado, por acreditar que tinha finalmente derrotado o Altíssimo e que portanto a sua resposta estava correcta e a de Oane não. Ele dizia que os fortes deviam dominar os fracos e os fracos deviam invejar os fortes. Ele negou o poder do amor como o sentido da vida e odiou Oane pela pureza da sua fé.

5 Ele foi o único que se lembrou que Oane havia sido sepultado no meio da cidade. Por escárnio, ele foi até à sua sepultura e arrancou a lápide. Ele desenterrou o cadáver de Oane e dançou sobre ele a noite toda, pisando-o e cantando a alegria de ter conseguido destruir o seu ministério de fé. Eis que ao seu redor a cidade estava em chamas enquanto os homens guerreavam, estupravam, matavam-se e torturavam-se mutuamente. A hora do triunfo parecia ter vindo para a Criatura que Jah não tinha nomeado.

6 Ele foi então às minas obter minérios para forjar sua coroa de Rei da Criação. A coroa era composta de ouro, prata, diamantes, rubis, esmeraldas e tudo o que de mais precioso se poderia encontrar no mundo. O seu peso era análogo ao orgulho e ao ódio que os homens tinham desenvolvido graças à Criatura que Jah não nomeara. E naquele momento ele era o único a olhar para o Céu, mas para mostrar seu sorriso de triunfo enquanto esperava uma admissão de fracasso por parte de Jah.

7 Assim, Jah quis dar uma grande lição aos homens, que o haviam traído. O Céu escureceu acima da comunidade e os ventos sopraram com força. Ele disse-lhes: “Enquanto vos dei o meu amor, vós só vos afastai, preferindo ouvir as palavras da Criatura a que Eu não dei nome. Vós preferistes render-vos aos prazeres mundanos ao invés de dar-Me graças.”

8 Jah acrescentou: “Eu criei-vos um lugar chamado Inferno, situado na Lua, onde os pecadores serão condenados a uma eternidade de tormentos como punição pelos seus actos hediondos. Dentro de sete dias a vossa cidade será engolida pelas chamas. Aqueles que permanecerem hão-de passar a eternidade no Inferno. No entanto, sou misericordioso, e digo-vos: Penitenciai-vos e serão recebidos na eternidade da minha presença, no Paraíso, situado no Sol.”


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MensagemAssunto: Re: LIVRO DAS VIRTUDES - A Pré-História   Qui 22 Dez 2011, 16:25

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Livro da Pré-História
Capítulo VI - «A Punição»


1 Os homens estavam agarrados ao pecado de tal modo que Jah decidiu puni-los. Mas a maioria não entendia como pecava, tão grande era o seu abandono pelo vício. Tinham um gosto trivial pelos prazeres da vida que se angustiaram com a possibilidade de os perder. Muitos decidiram fugir da cidade de Oanylone amaldiçoados. Então a Criatura Sem Nome encontrou sete pessoas cuja vida pecaminosa era tão intensa que acabou por incorporá-los.

2 Azazel foi consumido pela gula, Asmodeus pela luxúria, Belial pelo orgulho, Lúcifer pela preguiça, Belzebu pela avareza, Leviatã pela ira e Satanás pela inveja. Seguindo os conselhos da Criatura Sem Nome, eles defendiam uma rebelião contra Jah, ao afirmar que Jah era ciumento por punir as pessoas. Eles pregavam que Jah era fraco e que nunca os poderia ameaçar. Muitas pessoas ouviram-nos.

3 Sete bons homens, no entanto, compreenderam os grandes erros cometidos. Eles eram Gabriel, Jorge, Miguel, Micael, Galadriel, Simiel e Rafael. Eles pregavam a humildade, defendendo a penitência como um modo de se purificarem contra os pecados. Os seus sermões reflectiam as virtudes que cada um deles começava a encarnar. Gabriel encarnou a temperança, Jorge a amizade, Miguel a justiça, Micael a caridade, Galadriel a preservação, Simiel o prazer e Rafael a convicção. Apenas uns poucos homens foram sensíveis às suas palavras, mas a pureza da fé de um deles valia mais que o vício de cem pecadores.

4 Foram seis dias terríveis, com raios rasgando os céus e trovões a agitar a vontade dos fracos. Muitos foram os homens que fugiram da cidade. Só lá ficaram os mais vis, que ouviram a prédica das sete encarnações do pecado, e os mais virtuosos, que, como as sete encarnações da virtude, aceitaram o castigo de Jah. Até mesmo a Criatura Sem Nome foi prudente em fugir, deixando seus sete guerreiros à mercê de Jah.

5 No sétimo dia, abateu-se a sentença divina sob a forma de um desastre titânico. Um ensurdecedor tremor abriu o chão sob os pés dos poucos que permaneceram na cidade. Chamas tão altas como catedrais passaram a devorá-los. Os edifícios foram levados para baixo, pedras em colapso soterravam os seus habitantes, e as chamas devastam. Logo, toda a cidade estava mergulhada nas entranhas da terra, não deixando vestígio da sua existência.

6 As sete encarnações dos pecados foram punidas por Jah. Eles foram lançados à Lua, para viver a eternidade no sofrimento sob o título de Príncipes demónios. Aqueles que deram ouvidos às blasfémias por eles propagadas tiveram o mesmo destino terrível, sob o título de demónios. O seu amor ao vício e o seu ódio por Jah apenas se fez aumentar ao longo dos séculos seguintes. Os seus corpos reflectiam a escuridão e a brutalidade das suas almas.

7 Mas Jah percebeu que os sete virtuosos, e seus discípulos, provaram que os homens eram capazes de arrependimento e de humildade. Elevou-os ao Sol e foram abençoados com a felicidade eterna no Paraíso. Os sete foram chamados de Arcanjos e os seus discípulos de anjos. Ascenderam com o intuito de auxiliar o Todo-poderoso, de ajudar as pessoas, e sempre que necessário, combater as tentações da Criatura Sem Nome.


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MensagemAssunto: Re: LIVRO DAS VIRTUDES - A Pré-História   Qui 22 Dez 2011, 16:26

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Livro da Pré-História
Capítulo VII - «O Êxodo»


1 Toda a cidade de Oanylone fora engolida pelas entranhas da terra e consumida pelas chamas. De modo a purificar o lugar, Jah derramou sal por toda a região onde ficava a cidade do pecado, para que nada ali prosperasse. O poder do cataclismo divino cobriu o céu de poeira num raio de quilómetros. Os vários grupos que tinham fugido o mais depressa que conseguiam para escapar ao desastre deixaram para trás a sua antiga vida. Jah lamentou-Se por ser tido como injusto. Pois tendo-se eles afastado Dele e de Seu amor, simplesmente não compreendiam a Sua decisão divina.

2 Certos grupos chegaram ao litoral. Cortaram madeira e fizeram barcos. Tudo levou muito tempo. Na verdade, tinham perdido o hábito do trabalho e da labuta. Passavam mais tempo a descansar na praia do que em busca de alimentos ou a construir os seus barcos. Mas a nuvem escura de poeira lembrava-os constantemente que precisavam de ser rápidos. Aos poucos, afeiçoaram-se ao trabalho e, mesmo que não vivessem na virtude, a sua sociedade já não se caracterizava pelos pecados extremos de Oanylone.

3 Quando os barcos ficaram prontos, eles partiram numa viagem pelo mundo, desbravando os mares e desembarcando nas costas que lhes pareciam propícias. Outros grupos de fugitivos do cataclismo rumaram pelo interior. Passaram por diversas florestas, pântanos, rios, vales, colinas, montanhas, desfiladeiros, glaciares e planícies. Sempre que encontravam um local adequado para se instalarem, um grupo fixava-se e fundava uma povoação.

4 Assim, gradualmente, povoou-se o mundo, com assentamentos onde quer que fosse. Cada povoação organizou o seu próprio sistema político. Líderes eram eleitos para que gerassem recursos para as suas comunidades. Soldados eram recrutados para que as leis da comunidade fossem cumpridas. De modo a financiar esta hierarquia emergente, o ouro e a prata encontrados nas minas eram derretidos em forma de moedas. Isso facilitou as trocas comerciais em cada povoação.

5 Mais importante ainda, permitiu-lhes comercializar mercadorias entre as várias povoações. Entretanto, este comércio enriquecia alguns enquanto empobrecia outros. As povoações competiam intensamente para controlar os recursos. O que não obtinham pelo comércio, tentavam obter pela força. Assim, cada povoação organizou um exército e exortava os seus soldados a lutar, a fim de enriquecer a sua comunidade e os seus líderes.

6 Então Jah ensinou-lhes o verdadeiro significado da amizade para que nunca um homem matasse outro. Jah dividiu a língua única em muitas. Os homens não comunicavam além dos muros das suas povoações. O Altíssimo, em seguida, permitiu-lhes aprender as línguas que não sabiam. Essa aprendizagem foi necessária para que cada estudioso aprendesse e respeitasse a cultura alheia. Assim, tornaram-se menos propensos à guerra, dado o respeito e a diplomacia entre as povoações.


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MensagemAssunto: Re: LIVRO DAS VIRTUDES - A Pré-História   Qui 22 Dez 2011, 16:26

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Livro da Pré-História
Capítulo VIII - «O Paganismo»


1 Vários grupos de homens que fugiram de Oanylone dispersaram-se e povoaram o mundo. Os seus descendentes construíram cidades, formaram governos e cunharam dinheiro, o que permitia o comércio. Mas também inventaram a guerra. Para incentivá-los a conhecerem-se melhor ao invés de lutar, Jah dividiu a única língua em muitas línguas.

2 Entre essas pessoas, um grupo foi formado. Procuravam entender a realidade divina. Mas este grupo era tão ignorante em matéria divina quanto o resto da humanidade. Os homens não sentiam o amor divino já que se tinham afastado d'Ele. Procuravam uma explicação para as suas vidas, enquanto a resposta que eles tanto buscavam sempre esteve ali. Mas eles não souberam ouvir e permaneceram surdos.

3 O grupo concluiu que em tudo, em todos os elementos em torno dos homens e mulheres, havia um espírito cujo poder estava além da compreensão. Acreditavam que esses espíritos elementares possuíam poderes sobre-humanos e foram caracterizados com variadas personalidades, nunca deixando de competir para provar que determinado espírito elementar era o mais forte. Eram muitas vezes raivosos e nunca hesitavam em competir uns com os outros para serem venerados pelos homens.

4 Assim, sem que Jah estivesse nos seus corações, eles inventaram um panteão inteiro de falsas divindades. Como o céu cobre o mundo e é fonte de luz, a divindade do céu tornou-se o rei dos deuses. O seu raio rapidamente se tornou conhecido e logo todos os homens o temiam. Uma vez que os homens já não conheciam a virtude, os deuses que inventaram e veneravam não eram generosos com eles próprios. Dizia-se que o seu rei divino costumava transformar-se numa nuvem dourada para praticar o pecado da luxúria com belas princesas.

5 Para honrar os seus muitos deuses, os homens criaram edifícios que lhes foram dedicados a que deram o nome de “templo”. Eles próprios, agindo como clérigos do paganismo se nomearam “sacerdotes”. Faziam pedidos aos deuses e, em troca, sacrificavam animais. Em contrapartida ao que Jah tinha ensinado a Oane de que todas as criaturas do mundo, embora sujeitas aos homens, deviam ser respeitadas, os pagãos reverenciavam as suas falsas divindades através do sangue animalesco.

6 Mas não havia amor pelos seus novos deuses. Serviam apenas para suprir uma lacuna na vida dos homens. Naturalmente, os pagãos respeitavam as suas divindades, mas por medo e não por amor. Muitas povoações agruparam-se em reinos, liderados por reis. Eles apelavam aos sacerdotes para que as suas divindades pagãs viessem em seu auxílio, e os falsos sacerdotes acreditavam saber o futuro dos povos.

7 Mas havia um vazio no coração dos homens. Faltava-lhes saber porque foram concebidos. Faltava-lhes o amor que Jah tinha por eles. Então Jah decidiu que era hora de lembrar a Sua Criação. Ele encontrou uma criança na cidade de Estagira e ensinou-lhe a Sua Palavra, de modo que o Homem pudesse encontrar o caminho da virtude. Essa criança era Aristóteles.


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